A disputa pelo fim da escala 6×1 entrou em uma fase decisiva. E a movimentação dos últimos dias deixa uma coisa cada vez mais evidente: quanto mais perto fica a possibilidade de reduzir a jornada de trabalho sem redução dos salários, maior é a resistência do empresariado.
De um lado, trabalhadores, centrais sindicais, sindicatos, movimentos populares e organizações estudantis ampliam as mobilizações pelo país. No domingo, 30 de agosto, atos em diversas capitais defenderam o fim da escala 6×1 e a jornada de até 40 horas semanais, distribuída em cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial. Em Porto Alegre, a atividade estava marcada no Parque da Redenção, mas foi cancelada em função das chuvas.
Do outro, empresários se organizam para impedir que a proposta avance agora. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lançou uma campanha para pressionar o Senado a não decidir a questão durante o período eleitoral. A ofensiva reúne o apoio de 34 federações e sindicatos patronais e foi lançada justamente às vésperas da análise da PEC 221/2019 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Não se trata, portanto, apenas de uma discussão técnica sobre jornada. Há uma disputa política em curso sobre quem deve pagar pela redução do tempo de trabalho e sobre quando o Congresso deve assumir a responsabilidade de votar.
EMPRESARIADO QUER DEIXAR DECISÃO PARA DEPOIS DAS URNAS
A estratégia patronal merece atenção especial da classe trabalhadora. Ao defender que o Senado não decida a matéria durante as eleições, as entidades empresariais buscam retirar a pressão imediata sobre os parlamentares e empurrar uma reivindicação histórica para um cenário político posterior ao pleito. Isso cria o risco evidente de deixar um direito que hoje possui forte mobilização social dependendo da nova correlação de forças produzida pelas urnas.
O empresariado argumenta que a redução da jornada poderia provocar aumento de preços, informalidade e impactos sobre os lucros. Não é a primeira ofensiva. Em junho, entidades empresariais já haviam se posicionado contra a proposta que estabelece duas folgas remuneradas por semana e reduz a jornada de 44 para 40 horas sem diminuição salarial.
Além disso, setores patronais passaram a defender uma proposta alternativa, a PEC 12/2026, baseada em horas trabalhadas e com ampliação da possibilidade de acordos individuais entre patrões e empregados, mantendo jornadas de até 44 horas semanais. A iniciativa foi apresentada como contraponto ao fim da escala 6×1.
Ou seja, enquanto os trabalhadores lutam para trabalhar menos e viver melhor, o empresariado se organiza para preservar o atual modelo de exploração, com pagamento por hora sem nenhuma garantia social.
MUITO ALÉM DA MUDANÇA DE ESCALA
A mobilização da classe trabalhadora no último domingo mostrou que existe força social para enfrentar essa resistência. Em São Paulo, milhares de trabalhadores e integrantes dos movimentos sociais participaram da manifestação na Avenida Paulista. CUT, CTB, Força Sindical, UGT, NCST, sindicatos, organizações populares e estudantis estiveram mobilizadas. Atividades também ocorreram em diferentes estados.
A reivindicação vai muito além de uma simples mudança na escala. É uma luta pelo direito ao tempo.
Tempo para descansar. Para conviver com a família. Para acompanhar os filhos. Para estudar. Para cuidar da saúde. Para ter lazer, cultura e vida social.
Para milhões de trabalhadores, trabalhar seis dias para descansar apenas um significa organizar praticamente toda a vida em função do emprego. A mobilização também tem forte impacto sobre mulheres, que frequentemente acumulam jornada profissional e trabalho doméstico, e sobre jovens que precisam conciliar emprego e estudo.
Se os patrões pressionam, os trabalhadores precisam pressionar ainda mais. A ofensiva patronal deixa uma lição importante, a de que nenhum direito trabalhista relevante foi conquistado apenas porque empresários ou parlamentares decidiram concedê-lo. Direitos foram resultado de organização, negociação, mobilização e pressão da classe trabalhadora.
É justamente por isso que o momento exige ampliar a mobilização. A disputa no Senado enfrentará forte pressão empresarial e anunciou uma ofensiva sindical junto aos gabinetes dos senadores, além de atos, panfletagens e mobilizações pelo país. A orientação das centrais sindicais é transformar a mobilização das ruas em pressão direta sobre cada senador e senadora.
A PEC precisa de 49 votos no Senado para ser aprovada. Por isso, cada senador precisa dizer de que lado está. Dos três senadores do RS, apenas Paulo Paim (PT) já se posicionou favorável à proposta. Os outros dois, Luis Carlos Heinze (PP) e Hamilton Mourão (Republicanos) se manifestaram contra a proposta. Isso também deve acender o alerta para os trabalhadores, que este ano irão eleger dois senadores e devem estar atentos para os nomes e principalmente partidos que defendem os trabalhadores e os que sempre votam contra os trabalhadores. Isso significa que cada voto importa.
A pressão não pode ficar restrita às direções sindicais. Precisa chegar às categorias, aos locais de trabalho, às redes sociais, às ruas e aos gabinetes parlamentares.
NÃO PODEMOS DEIXAR PARA DEPOIS DAS ELEIÇÕES
A estratégia patronal de tentar adiar a decisão torna a mobilização ainda mais urgente. Se o empresariado está reunindo dezenas de entidades para pressionar o Senado, a classe trabalhadora precisa responder com uma mobilização ainda maior.
Não podemos aceitar que uma reivindicação que está mobilizando milhões de brasileiros – e que 76% da população aprova – seja colocada na gaveta para depois das eleições, ficando submetida ao resultado eleitoral e a uma nova correlação de forças no Congresso.
O momento é agora. Por isso, é preciso participar dos atos, das atividades convocadas pelos sindicatos e pelas centrais, pressionar os senadores, ocupar as redes sociais, conversar nos locais de trabalho e ampliar o apoio popular.
A disputa está aberta. De um lado, grandes entidades empresariais e seus sindicatos patronais mobilizam sua força econômica e política para adiar a votação. Do outro, milhões de trabalhadores reivindicam algo elementar: trabalhar para viver, e não viver para trabalhar. A história mostra de que maneira essa disputa pode ser vencida.
A luta faz a lei.
FIM DA ESCALA 6×1 JÁ!
40 HORAS SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO!
NÃO AO ADIAMENTO!
Assessoria de Comunicação
31/08/2026 15:25:43