Em 28 de abril, em Porto Alegre, o Fórum Sindical de Saúde do Trabalhador (FSST) celebrou 20 anos reafirmando que o trabalho deve ser espaço de vida, não de adoecimento e morte. O evento reuniu sindicalistas, especialistas e trabalhadores, com um consenso: só a organização coletiva pode mudar a realidade. Os dirigentes do SINTTEL-RS, Adriana Moraes, vice-presidente, e Juan Sanches, da pasta de saúde do trabalhador, participaram ativamente do encontro.
Depois das boas vindas e saudações do presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, foi a vez dos especialistas convidados falarem sobre os temas do evento, que abordaram a precarização do trabalho, riscos psicossociais (NR-1) e benzeno.
LUTA PELO RECONHECIMENTO DO ADOECIMENTO
O advogado João Lucas destacou a evolução jurídica: “Não era só o acidente típico. Lutamos muito para reconhecer LER/DORT”. Ele apontou o nexo técnico epidemiológico como ferramenta subutilizada e alertou para a atual “terceira fase”: os riscos psicossociais. Sobre a NR-1, questionou: “A norma determina que a empresa identifique o risco psicossocial. Mas quem está fazendo isso?” Denunciou ainda o ciclo de adoecimento: “O trabalhador se afasta, trata e volta para o mesmo ambiente”.
MODELO DE TRABALHO ADOECE A CLASSE
A juíza Valdete Souto Severo afirmou: “A lógica das metas não é neutra. Ela extrai mais trabalho e a saúde do trabalhador”. Criticou a insalubridade como dano, não risco, e o adoecimento mental: “O Brasil é um dos países com maior número de afastamentos por burnout. Vivemos numa sociedade medicalizada”. Concluiu: “O movimento sindical precisa retomar a radicalidade”.
NR-1 NÃO TRANSFORMA SEM LUTA
O auditor do trabalho, Luiz Scienza disse: “A NR-1 nasceu numa lógica neoliberal. O patrão adora, porque permite dizer que está tudo certo”. Sobre riscos psicossociais, acrescentou: “Assédio não se identifica com planilha. Quem identifica é o trabalhador que sofre. Sem mobilização, nada muda”.
DIREITOS SÃO CONQUISTADOS
O superintendente Claudir Nespolo lembrou: “A Constituição de 1988 vem sendo desmontada”. Ele lembrou os mais 470 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024 e provocou: “O patrão organiza a produção. E nós, organizamos a defesa da saúde?”
TRABALHO COMO SINÔNIMO DE VIDA
O deputado Miguel Rossetto reforçou: “O espaço do trabalho não pode ser da doença ou da morte. Tem que ser de vida”.
Relatos da base – Houve depoimentos emocionantes de um trabalhador acidentado no Polo e da viúva de um trabalhador que morreu de leucemia em busca de nexo causal em função da exposição ao Benzeno.
Na sequência, foram abertas as falas aos participantes. O representante dos trabalhadores em telecomunicações. Juan Sanches, se manifestou parabenizando o evento e os 20 anos do Fórum Sindical de Saúde do Trabalhador (FSST), do qual o SINTTEL-RS faz parte.
Para Juan, encontros como o seminário ajudam a compreender não só as situações da categoria, mas uma série de outras situações. “Aqui nós aprendemos a conhecer a dor do outro e a tentar construir soluções propostas. O Fórum propõe políticas públicas, transcende limites do estado e institucionais. Isso porque nós nos permitimos permear outras instâncias de poder. Com nossos estudos, com nossos documentos, conseguimos sim permear o poder. E vamos continuar fazendo isso”, acrescentou.
Finalizando, lembrou: “Acreditamos que daqui a 20 anos, quando outras e outros trabalhadores estiverem aqui comemorando a existência do Fórum, já teremos conquistado soluções para a classe trabalhadora. Teremos outros ambientes de trabalho, ambientes que são necessários e que continuemos acolhendo”.
Depois dos debates e colocações, a conclusão do evento foi unânime: sem base organizada e mobilização, não há saúde no trabalho. A luta continua.
Assessoria de Comunicação
29/04/2026 19:29:40