A realidade brasileira escancara, mais uma vez, aquilo que o movimento sindical denuncia há décadas: as privatizações fizeram — e continuam fazendo — mal ao país, à economia e aos trabalhadores. Apesar de um dos maiores exemplos estar, hoje, na situação da privatização das telecomunicações, com a situação da OI, outros exemplos apontam a falência deste projeto neoliberal.
OI: O RETRATO DO COLAPSO DA PRIVATIZAÇÃO
A situação da Oi não deixa dúvidas. Resultado direto da privatização do sistema Telebrás nos anos 1990, a empresa virou sinônimo de sucateamento, precarização, demissões em massa, calotes em trabalhadores e fornecedores.
Hoje, o que se vê é um processo de recuperação judicial permanente, venda de ativos a preço de banana e uma completa falta de compromisso com o país e com quem construiu a empresa com seu trabalho.
A promessa de “modernização” e “eficiência” virou, na prática, desemprego, terceirização desenfreada, retirada de direitos, serviços precarizados para a população e os trabalhadores – diretos e terceirizados das prestadoras, como Serede, ameaçados de sequer receberem seus direitos nas rescisões dos contratos de trabalho. A Oi é o retrato do fracasso de um modelo que entregou um setor estratégico nas mãos do mercado e que hoje cobra a conta da população e dos trabalhadores.
PETRÓLEO: O MESMO ERRO, AGORA NO BOLSO DE TODOS
O resultado nefasto das telecomunicações, que cobra o preço dos trabalhadores, agora pode ter um comparativo com a privatização, pelo governo Bolsonarista, da BR Distribuidora.
Vendida na bacia das almas, a BR Distribuidora era um importante instrumento para regular e balizar o preço da gasolina e do diesel nos postos. Hoje privada, penaliza os trabalhadores com preços que, embora congelados e até rebaixados pela Petrobrás, chega mais caro nas bombas para a população. E não só isso, já que o preço do diesel e da gasolina impactam nos preços dos fretes, fazendo aumentar o custo de vida, especialmente os alimentos.
A crise internacional do petróleo, agravada pelo conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, está evidenciando o equívoco que foi a privatização da BR Distribuidora (hoje Vibra) que promove aumentos acima da realidade, aposta na especulação, no risco de desabastecimento. Há, inclusive, denúncias de postos (que embora ainda usem a bandeira da BR Distribuidora, são na verdade privados), escondem uma possível manipulação logística e desabastecimento artificial para pressionar preços. Dados mostram que a distribuidora privatizada chegou a elevar o preço do diesel 35 vezes acima do impacto real do mercado.
SEM ESTADO, O MERCADO ABUSA
Assim como nas telecomunicações, quando o estado se ausenta de um setor, os abusos penalizam os trabalhadores, a partir da lógica de que a única coisa que importa é o lucro. Isso vale para qualquer setor – energia, telecomunicações, saúde, etc.
Quando a BR Distribuidora era pública, havia concorrência com regulação real, impedindo abusos. Hoje, o cenário é outro. As distribuidoras privadas controlam preços, priorizam o lucro acima do abastecimento e operam sem compromisso com o país. Enquanto isso, a Petrobras segue produzindo normalmente — mas já não consegue mais proteger o mercado como antes.
SOBERANIA NÃO É MERCADORIA
A privatização não trouxe concorrência saudável, nem redução de preços ou sequer melhorias nos serviços. Mas trouxe concentração econômica, perda de soberania, aumento da exploração, precarização das condições de trabalho e ameaça de desemprego para os trabalhadores e, finalmente, imensos prejuízos para a população. Seja nas telecomunicações ou no petróleo, o resultado é o mesmo: o Brasil fica refém de interesses privados.
NÃO PODEMOS MAIS PERMITIR GOVERNOS PRIVACIONISTAS
A crise atual escancara a necessidade urgente de reestatizar setores estratégicos, recuperar o papel do Estado na regulação, garantir serviços públicos de qualidade e proteger trabalhadores e a população. Nenhum país se desenvolve de fato, abrindo mão do controle dos seus setores estratégicos. Felizmente, assim que assumiu, o governo Lula retirou não só a Petrobrás, os Correios, mas também outras empresas fundamentais ao país da lista de privatizações. Não fosse isso, hoje estaríamos ainda numa situação muito mais fragilizada frente a fatores externos.
O SINTTEL-RS tem um histórico de luta contra as privatizações e é uma voz de denúncia contra este projeto que entrega o que é público, de todos, para o lucro e enriquecimento de poucos. E continuará sua luta contra as privatizações, em defesa dos trabalhadores, por serviços públicos de qualidade e pela soberania nacional, quer nas telecomunicações, quer em qualquer outro setor estratégico para o país. Empresas privadas não têm compromisso com universalização, qualidade ou soberania. Seu único compromisso é com o retorno financeiro para acionistas.
Não é o trabalhador que fracassou. Foi o modelo de privatização.
Assessoria de Comunicação
29/03/2026 22:10:42