APOSTAS ON-LINE CRIAM DEPENDÊNCIA E AMEAÇAM A SAÚDE MENTAL E A RENDA DOS TRABALHADORES

As apostas e os jogos virtuais estão cada vez mais presentes no cotidiano. Com poucos cliques no celular, qualquer pessoa pode acessar plataformas que prometem diversão, prêmios e dinheiro fácil. Mas o que começa como distração pode se transformar em um grave problema, com impactos sobre a saúde mental, o orçamento familiar, as relações pessoais e a vida profissional.

TRANSTORNO DO JOGO – O chamado transtorno do jogo ocorre quando a pessoa perde o controle sobre as apostas e continua jogando mesmo diante de dívidas, conflitos familiares e prejuízos emocionais ou profissionais. Essa condição é reconhecida como um transtorno de comportamento aditivo pela Classificação Internacional de Doenças. Não se trata de falta de força de vontade ou de um simples “mau hábito”. É um problema de saúde que exige acolhimento e, em muitos casos, acompanhamento profissional.

PROBLEMA QUE CRESCE NO BRASIL – Dados do Ministério da Saúde mostram que em 2022, cerca de 30% da população brasileira afirmou já ter participado de algum tipo de jogo ou aposta. O Ministério da Saúde também estima que, até 2028, poderá ocorrer um aumento de 104% nos atendimentos de pessoas com transtorno do jogo na Rede de Atenção Psicossocial do SUS.

Em escala mundial, a Organização Mundial da Saúde estima que o transtorno do jogo atinja aproximadamente 1,2% da população adulta. A OMS alerta, ainda, que, para cada pessoa que joga em nível de alto risco, outras seis pessoas, em média, também são afetadas, principalmente familiares.

Esses números deixam claro que não estamos diante de um problema individual. A dependência atinge toda a família, compromete a renda destinada à alimentação, moradia, saúde e educação e pode gerar endividamento, rompimento de relações, violência familiar e isolamento social.

COM VOCÊ EM TODOS OS LUGARES

As plataformas de apostas utilizam notificações, bônus, promoções, recompensas variáveis e apostas em tempo real para estimular a permanência do usuário. O funcionamento durante 24 horas e o acesso imediato pelo celular fazem com que o jogo acompanhe a pessoa em todos os lugares, inclusive dentro de casa e durante o trabalho.

A promessa de recuperar rapidamente o dinheiro perdido também alimenta um ciclo perigoso. Depois de uma derrota, a pessoa pode apostar novamente acreditando que a próxima jogada resolverá o prejuízo. Na prática, as perdas podem se acumular e levar ao uso do salário, do limite bancário, do cartão de crédito ou até de empréstimos para continuar apostando.

IMPACTOS NA VIDA E RISCO MAIOR DE SUICÍDIO

A dependência pode provocar ansiedade, depressão, irritabilidade, culpa, vergonha, insônia e dificuldade de concentração. No trabalho, pode resultar em cansaço, queda de rendimento, erros, conflitos, atrasos e afastamentos e, ainda, afetar a atenção, aumentando os riscos de acidentes no trabalho.

Num cenário como o setor em telecomunicações, com cobrança de metas inatingíveis, longas jornadas, trabalho permanentemente conectado e pressão por produtividade, o jogo pode aparecer como uma tentativa de aliviar o estresse ou escapar momentaneamente dos problemas, mas acaba criando sofrimentos.

O endividamento também aumenta a angústia. Muitas pessoas escondem as perdas da família e passam a viver sob pressão constante para recuperar o dinheiro. Em situações mais graves, o transtorno pode estar relacionado a pensamentos de morte e risco de suicídio. Segundo a OMS, um estudo realizado na Suécia identificou que pessoas com transtorno do jogo apresentavam risco de morte por suicídio 15 vezes maior do que a população em geral.

ATENÇÃO AOS SINAIS

Alguns comportamentos podem indicar que a relação com o jogo deixou de ser uma diversão:

gastar mais dinheiro ou permanecer jogando por mais tempo do que havia planejado;

tentar parar ou diminuir as apostas e não conseguir;

voltar a jogar para tentar recuperar valores perdidos;

usar dinheiro destinado às contas da casa;

fazer empréstimos ou acumular dívidas para apostar;

esconder apostas e prejuízos da família;

ficar irritado, ansioso ou inquieto quando não pode jogar;

apresentar alterações no sono, no humor ou na alimentação;

perder o interesse por atividades familiares e sociais;

deixar que o jogo prejudique o trabalho e as relações pessoais;

apostar para fugir da tristeza, da ansiedade, do estresse ou de outros problemas.

Reconhecer esses sinais não deve ser motivo de julgamento. Acolher, conversar e orientar a busca por ajuda são atitudes fundamentais.

COMO PREVENIR E REDUZIR OS RISCOS

A principal recomendação é não considerar as apostas uma fonte de renda. Também é importante não usar dinheiro do salário, das contas básicas ou da reserva familiar para jogar. Outras medidas que podem ajudar são:

desativar notificações e excluir aplicativos de apostas;

não utilizar cartão de crédito ou empréstimos para jogar;

evitar apostar em momentos de tristeza, ansiedade ou estresse;

conversar com familiares ou pessoas de confiança;

manter atividades de lazer que não envolvam dinheiro;

acompanhar movimentações bancárias e organizar o orçamento familiar;

procurar ajuda assim que surgirem dificuldades para parar;

solicitar a autoexclusão das plataformas de apostas.

A Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Governo Federal, permite bloquear de uma só vez as contas mantidas em plataformas autorizadas, impedir a abertura de novas contas com o mesmo CPF e interromper o envio de publicidade direcionada.

Além disso, quem enfrenta problemas com jogos e apostas, bem como seus familiares, pode buscar atendimento gratuito no SUS; O primeiro acolhimento pode ser realizado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Quando necessário, a pessoa pode ser encaminhada para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), onde terá acompanhamento de uma equipe multiprofissional. O cuidado pode incluir atendimento individual, atividades em grupo e, dependendo de cada caso, uso de medicamentos.

O SUS também disponibiliza teleatendimento especializado e sigiloso, através do MEU SUS DIGITAL, onde é possível fazer um teste para apontar o grau de risco do apostador. Importante: o autoteste ajuda na reflexão, mas não substitui a avaliação de um profissional.

Em caso de pensamentos de morte ou risco de suicídio, a orientação é procurar imediatamente uma Unidade de Pronto Atendimento ou ligar para o SAMU, pelo telefone 192.

SINTTEL-RS ESTÁ ATENTO À SAÚDE DA CATEGORIA

O SINTTEL-RS acompanha com preocupação o crescimento da dependência em jogos e apostas virtuais e seus efeitos sobre os trabalhadores, as trabalhadoras e suas famílias. Para o Sindicato, defender a categoria significa lutar por salários, direitos e condições dignas de trabalho, mas também promover informação, prevenção e cuidado com a saúde física e mental. O problema não pode ser tratado com preconceito, punição ou culpabilização de quem está sofrendo.

As empresas também precisam assumir suas responsabilidades, fortalecendo programas de saúde ocupacional, garantindo acolhimento adequado e combatendo práticas de assédio, pressão excessiva e adoecimento no ambiente de trabalho.

Se o jogo está tomando o seu tempo, comprometendo o salário ou prejudicando sua saúde e suas relações, não espere o problema aumentar. Converse com alguém de confiança e procure o SUS. Pedir ajuda é um ato de cuidado e coragem.

Assessoria de Comunicação

12/08/2026 16:32:53

Compartilhe na redes:

Facebook
Twitter
Email
WhatsApp
Telegram