PELA VIDA DAS MULHERES, A LUTA É DE TODOS!

O SINTTEL-RS e as Secretarias de Mulheres e de Formação da FITRATELP somam-se às atividades promovidas pela CUT para fortalecer o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, do Governo Federal, por meio da campanha permanente “Pela Vida das Mulheres, a Luta é de Todos”.

Não é aceitável o número de feminicídios registrados diariamente no Brasil. Estamos presenciando atos de extrema violência que vitimam mulheres em todas as regiões do país, sem distinção de classe social, idade ou raça. Diante dessa realidade, os sindicatos têm um papel fundamental na prevenção, no acolhimento das vítimas e na conscientização da sociedade.

Entre as medidas que podem ser fortalecidas está a luta pelo fim da jornada 6×1, que prejudica toda a classe trabalhadora, mas afeta especialmente as mulheres. A redução da jornada significa mais tempo para cuidar de si, dos filhos e da família, investir em qualificação profissional e conquistar autonomia financeira, condição essencial para que muitas mulheres consigam romper relações abusivas mantidas, muitas vezes, por dependência econômica.

Também é fundamental incluir nos Acordos e Convenções Coletivas cláusulas voltadas à prevenção da violência contra a mulher, tanto no ambiente de trabalho quanto no âmbito doméstico. Os sindicatos podem desempenhar um papel decisivo ao oferecer acolhimento, orientação sobre os canais de denúncia, apoio às vítimas e ações permanentes de conscientização por meio de seminários, oficinas, palestras e campanhas educativas. Manter o tema em evidência é uma forma de reforçar que nenhuma mulher deve ser vítima de violência, assédio ou qualquer tipo de ameaça, seja no trabalho, nas ruas ou dentro de casa.

Os números mostram a gravidade dessa realidade. O Brasil registrou 399 feminicídios apenas no primeiro trimestre de 2026, média de mais de quatro mulheres assassinadas por dia, o maior número para o período desde o início da série histórica do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). No Rio Grande do Sul, 42 mulheres foram vítimas de feminicídio até julho de 2026.

Violência contra a mulher

Confira alguns dados do Relatório Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública:

40,7% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência ao longo da vida.

As vítimas relataram, em média, mais de três tipos diferentes de violência apenas no último ano pesquisado (2024).

31,4% sofreram ofensas verbais, como insultos, humilhações e xingamentos, aumento de oito pontos percentuais em relação a 2023.

16,9% sofreram agressões físicas, como tapas, empurrões, chutes ou socos, o maior índice registrado desde o início da pesquisa.

16,1% foram ameaçadas de sofrer agressão física e cerca de 95 mil mulheres foram vítimas de stalking (perseguição).

Uma em cada dez mulheres sofreu abuso sexual ou foi obrigada a manter relação sexual contra sua vontade em 2024.

8,9% sofreram lesões causadas por objetos arremessados contra elas.

7,8% sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento.

6,4% foram ameaçadas com faca ou arma de fogo.

3,9% tiveram fotos ou vídeos íntimos divulgados sem consentimento.

Entre as mulheres divorciadas, 60,9% relataram já ter sofrido violência, percentual superior ao registrado entre solteiras (53%), casadas (44,4%) e viúvas (51,8%), indicando que o rompimento da relação pode aumentar a vulnerabilidade.

A violência também é praticada por outros familiares: pais e mães (5,2%), padrastos e madrastas (4,1%) e filhos ou filhas (3%), evidenciando que o problema vai além da violência doméstica e também se manifesta no ambiente familiar.

Apenas 25,7% das mulheres que sofreram violência procuraram órgãos oficiais. Outros 33,8% buscaram apoio junto à família ou amigos, enquanto 47,4% não procuraram qualquer tipo de ajuda.

32,4% das brasileiras com 16 anos ou mais sofreram violência física ou sexual praticada por parceiro íntimo ou ex-parceiro. A média mundial é de 27%.

A violência é mais frequente entre mulheres de 25 a 34 anos (46,8%) e de 45 a 59 anos (44,9%), entre mulheres com ensino fundamental (45,5%) e entre mulheres negras (41,9%), percentual superior ao registrado entre mulheres brancas (37,8%).

Mulheres que vivem no interior (40,2%) e nas capitais e regiões metropolitanas (41,5%) apresentam índices semelhantes de vitimização.

Mulheres com filhos (43,8%) sofrem mais violência do que aquelas que não têm filhos (33,7%).

Formas de violência praticadas por parceiros ou ex-parceiros

Desrespeito e destruição da autoestima: 31,6% afirmaram ter sido constantemente menosprezados a ponto de se sentirem inúteis.

Intimidação: 30,6% relataram episódios em que o parceiro deu socos ou chutes em portas e paredes durante momentos de raiva.

Controle da autonomia: 17,1% disseram que o parceiro tentou impedir que trabalhassem ou estudassem por ciúmes.

Violência patrimonial e financeira: 10% foram impedidas de administrar ou ter acesso ao próprio dinheiro.

Onde buscar ajuda?

É fundamental que toda a sociedade conheça e utilize os canais de denúncia e proteção às mulheres vítimas de violência.

Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher. Funciona 24 horas por dia, em todo o país, oferecendo orientação, acolhimento e encaminhamento.

Disque 190 – Em situações de emergência, acione imediatamente a Polícia Militar.

Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) – Porto Alegre: (51) 3288-2172.

Corpo de Bombeiros: 193.

Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJ-RS.

Ministério Público do RS – Promotoria de Justiça Especializada de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

Defensoria Pública do Estado do RS – Centro de Referência em Direitos Humanos: 0800 644 5556.

O combate à violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade. O SINTTEL-RS reafirma seu compromisso com a defesa da vida, da igualdade e dos direitos das mulheres, fortalecendo a organização sindical como espaço de acolhimento, conscientização e luta por relações de trabalho e de vida livres de violência.

Assessoria de Comunicação

22/07/2026 21:34:22

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