O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgou o Boletim De Olho nas Negociações nº 69, com resultados acumulados até maio de 2026. Os números revelam que 84,3% de negociações tiveram reajuste acima da inflação.
O acumulado de janeiro a maio de 2026 mostra que 88,8% das negociações resultaram em ganhos reais, bem acima dos 79,3% registrados nas últimas 12 datas-bases. A variação real média no período foi de 1,71%, contra 1,12% no ciclo anterior.
O CANTO DA SEREIA PATRONAL
Durante as negociações coletivas, é prática comum os representantes das empresas alegarem que o momento econômico não permite reajustes reais, que os custos subiram, que o setor está em crise ou que a inflação futura será menor – tudo para segurar os salários.
No entanto, os dados do DIEESE mostram que, mesmo com o leve arrefecimento em maio, a grande maioria das categorias tem conseguido reajustes acima do INPC. Em maio, por exemplo, o ganho real médio foi de 1,40%. E para as categorias com data-base em junho, o INPC acumulado dos últimos 12 meses aponta para um reajuste necessário de 4,42% – o maior valor de 2026.
Isso significa que os trabalhadores têm direito a pleitear, no mínimo, a reposição da inflação, e que há espaço para avançar além disso, como vem ocorrendo na maioria das negociações neste ano.
EXCEÇÃO
Um dado importante apontado pelo DIEESE é que os reajustes parcelados são ínfimos, de apenas 0,3% do total em maio. Isso indica que a fragmentação dos reajustes não é a regra, e os trabalhadores devem resistir a propostas que criem diferenças artificiais entre categorias ou que adiem o pagamento integral do reajuste.
Para o SINTTEL-RS, os dados apontados pelo Departamento indicam que é essencial que os trabalhadores não se deixem levar pelo discurso fácil de que “o momento não permite reajustes dignos”. Os dados mostram que a economia tem acomodado ganhos reais para a maioria das categorias. Qualquer proposta abaixo do INPC é perda de salário.
Assessoria de Comunicação
Fonte: DIEESE/Boletim “De Olho nas Negociações” nº 69, dados até 9 de junho de 2026.
25/06/2026 17:43:24