Estudo mostra que a desaceleração dos preços dos alimentos e a retomada da política de valorização do salário mínimo contribuíram para recuperar o poder de compra dos trabalhadores/as a partir de 2023.
A vida está cara e difícil, os trabalhadores/as sabem bem disso, mas acredite, poderia estar pior. Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostra que o custo da alimentação e o poder de compra dos trabalhadores/as brasileiros apresentaram mudanças importantes nos últimos anos. Levantamento divulgado em outubro de 2026 pelo (DIEESE), revela que a cesta básica em Porto Alegre aumentou 61% no período de 2019 a 2022, durante o governo Bolsonaro, enquanto a alta acumulada entre 2023 e agosto de 2026, no governo Lula, foi de 9,6%.
Nessa comparação, os dados mostram uma forte desaceleração no ritmo de aumento dos preços dos alimentos, acompanhada pela recuperação do salário mínimo e pela ampliação do poder de compra das famílias trabalhadoras.
NO GOVERNO BOLSONARO, ALIMENTOS SUBIRAM MUITO ACIMA DA INFLAÇÃO
Segundo o DIEESE, no primeiro período analisado, o valor da cesta básica em Porto Alegre passou de R$ 464,72, em dezembro de 2018, para R$ 765,63, valor de referência apresentado no estudo para 2022. O aumento acumulado foi de 61%, mais que o dobro da inflação de 27% medida pelo INPC/IBGE.
Em 2022, a cesta básica chegou a consumir 66,2% do salário-mínimo em Porto Alegre, o maior comprometimento registrado em quase duas décadas. Na prática, sobrava cada vez menos dinheiro para pagar aluguel, transporte, energia, medicamentos e outras despesas essenciais.
COM LULA, PREÇOS DESACELERAM E SALÁRIO-MÍNIMO VOLTA A TER GANHO REAL
A partir de 2023, o cenário começou a mudar. Conforme o levantamento do DIEESE, entre 2023 e agosto de 2026, a cesta básica acumulou alta de 9,6%, abaixo da inflação geral de 16,4%. Alguns produtos registraram redução nos preços, caso do feijão (6,1%) e do arroz (4,9%), emboa outros tivessem subido, como o café.
Já quanto ao salário mínimo, entre 2019 e 2022 (governo Bolsonaro), o reajuste nominal foi de 21,4%, abaixo da inflação de 28,6%, provocando perda real. Mas entre 2023 e 2026, o reajuste acumulado chegou a 24,5%, superando a inflação de 16,5% e garantindo ganho real aos trabalhadores/as.
O resultado aparece diretamente no orçamento das famílias: a parcela do salário-mínimo necessária para comprar a cesta básica caiu de 66,2%, em 2022, para 55,3%, em agosto de 2026.
COMBATE À FOME E SEGURANÇA ALIMENTAR TAMBÉM SÃO PRIORIDADES
O estudo destaca que a alta dos alimentos não representa apenas perda de renda. Ela também prejudica a qualidade da alimentação, pois obriga muitas famílias a substituir produtos nutritivos por alimentos mais baratos e de menor valor nutricional.
Entre 2019 e 2021, o Brasil voltou ao Mapa da Fome, com a subalimentação atingindo 4,1% da população. A partir de 2023, esse indicador recuou para menos de 2,5%, acompanhando a retomada das políticas de segurança alimentar e a recomposição dos estoques públicos de alimentos.
Para o DIEESE, políticas como a de valorização do salário-mínimo são fundamentais para garantir alimentos acessíveis e proteger a renda dos trabalhadores/as.
PODER DE COMPRA É DIREITO E EXIGE POLÍTICAS PERMANENTES
Apesar da melhora dos indicadores, o DIEESE alerta que a desaceleração da inflação não significa que os alimentos voltaram aos preços anteriores. O custo de vida continua elevado, e despesas como moradia, saúde, educação, energia e transporte seguem pressionando o orçamento das famílias.
Os números reforçam que as decisões políticas e econômicas têm consequências concretas na vida da classe trabalhadora. A valorização dos salários, o controle da inflação e os investimentos em políticas públicas são fundamentais para garantir melhores condições de vida.
Para o movimento sindical, defender o poder de compra significa lutar por reajustes salariais com ganho real, alimentação de qualidade, segurança alimentar e políticas públicas que coloquem as necessidades dos trabalhadores/as acima dos interesses do mercado.
Fonte: DIEESE – Escritório Regional do Rio Grande do Sul. Informe DIEESE/ERRS – Evolução do poder de compra (2019–2026) | Cesta Básica, outubro de 2026. Dados referentes a Porto Alegre, com indicadores de inflação do INPC/IBGE.
Assessoria de Comunicação
21/10/2026 12:11:55