O QUE O PROJETO DE FLÁVIO BOLSONARO APRESENTA PARA OS TRABALHADORES

Uma análise publicada pelo Outras Palavras, assinada por Ronaldo Tamberlini Pagotto, aponta que as propostas apresentadas pela candidatura de Flávio Bolsonaro representam riscos significativos para os direitos trabalhistas, a Previdência, o serviço público e a organização sindical.

Entre os principais pontos destacados está a proposta de ampliar a negociação direta entre trabalhador e empresa, reduzindo o papel das regras gerais de proteção trabalhista e da negociação coletiva. O programa também prevê a redução do chamado “custo do trabalho”, contratos diferenciados com salários menores para jovens e trabalhadores com mais de 50 anos e um amplo “revogaço regulatório”.

A matéria também chama atenção para a posição contrária ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada de trabalho. A alternativa defendida por Flávio Bolsonaro seria ampliar a flexibilidade da jornada, inclusive com remuneração por horas trabalhadas e direitos como 13º salário, FGTS e férias calculados proporcionalmente. Para o autor, esse modelo pode ampliar a precarização das relações de trabalho e enfraquecer a referência do salário mensal.

SINDICATOS NA MIRA – Outro ponto central é o enfraquecimento da organização sindical. O programa critica a unicidade sindical e defende que a empresa e o trabalhador possam negociar diretamente suas condições de trabalho. A análise considera que a combinação entre redução do financiamento, enfraquecimento da negociação coletiva e mudanças na representação sindical pode diminuir significativamente a capacidade de organização e resistência dos trabalhadores.

Previdência, aposentadorias e serviço público – Se filho precisa de saúde e educação públicas, seus pais dependem de aposentadoria? Pois então. No programa do candidato, a matéria cita declarações do coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, defendendo a necessidade de “revisitar a Previdência”. O texto também aponta preocupações com a política de valorização do salário-mínimo, lembrando que 66,2% dos benefícios pagos pelo INSS têm valor de até um salário-mínimo. N governo do pai do candidato, o salário-minimo e, portanto, as aposentadorias, ficaram quatro anos sem nenhum percentual de reajuste acima da inflação.

Para os servidores públicos, são destacadas propostas de Reforma Administrativa, redução de ministérios, revisão de despesas, retomada das desestatizações – leia-se mais privatizações – e maior utilização de inteligência artificial em funções operacionais e administrativas. A matéria também recupera propostas do governo Bolsonaro, como a PEC 32, que previa mudanças profundas nas relações de trabalho no serviço público.

O programa também prevê a retomada do Programa Nacional de Desestatização. A reportagem cita declarações sobre possíveis privatizações ou reestruturações de empresas públicas, incluindo Correios, Banco do Brasil e ativos ainda não vendidos da Petrobras.

Em síntese, a análise do Outras Palavras sustenta que o projeto representa a retomada e o aprofundamento de uma agenda de flexibilização das relações de trabalho, redução da presença do Estado, privatizações e enfraquecimento dos sindicatos — medidas que, na avaliação do autor, podem significar perda de direitos e maior precarização para quem vive do trabalho. Resumindo: mais fome e miséria para o povo, e mais lucros e benesses para os patrões.

Fonte: Outras Palavras — “O que Flávio propõe aos trabalhadores”, de Ronaldo Tamberlini Pagotto, publicado em 1º de outubro de 2026.

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