O aumento dos acidentes e adoecimentos relacionados ao trabalho no RS esteve no centro dos debates da reunião do Fórum Sindical de Saúde do Trabalhador do RS (FSST-RS), realizada no dia 14 de julho, na sede do SINDIPOLO-RS, em Porto Alegre. O encontro reuniu representantes de diversas entidades sindicais, movimentos sociais, universidades e órgãos públicos para discutir os desafios da saúde do trabalhador diante do avanço da precarização das relações de trabalho.
Durante o debate, o diretor do SINTTEL-RS, Juan Sanchez, fez uma análise dos dados apresentados pelo SmartLab, construídos a partir das notificações do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). Segundo ele, o crescimento dos indicadores não é um fenômeno isolado.
“Nota-se, sob análise primária, que esse aumento coincide com o recrudescimento da terceirização, agravada pela pejotização e pela exploração ilegal dos MEIs, provocando a exacerbação da precarização das relações de trabalho”, destacou o dirigente.
Os dados mostram uma piora significativa da incidência de notificações relacionadas ao trabalho no Rio Grande do Sul ao longo dos últimos anos, evidenciando um cenário de agravamento das condições de saúde e segurança enfrentadas pelos trabalhadores.
A reunião contou com a participação especial do professor Paulo Antônio Oliveira, da UFRGS, que apresentou uma proposta de Curso Universitário de Formação em Saúde do Trabalhador, voltado para dirigentes sindicais e trabalhadores. A iniciativa abordará as Normas Regulamentadoras (NRs), com destaque para a nova NR-1, que passou a incorporar os riscos psicossociais, o sofrimento psíquico e a saúde mental como elementos fundamentais da prevenção nos ambientes de trabalho.
Também foi apresentada a proposta de formação em Saúde do Trabalhador promovida pela AGTS-RS, exposta pelos dirigentes Fabrício Rocha e Anitamar Lencira, reforçando a necessidade de qualificação permanente das entidades para enfrentar o crescimento dos adoecimentos ocupacionais.
DENÚNCIAS SOBRE A SAÚDE PÚBLICA EM PORTO ALEGRE
Outro ponto da reunião foi a denúncia apresentada por Alberto Terres sobre a situação da saúde pública em Porto Alegre. Segundo ele, a atenção primária e os serviços de saúde do trabalhador vêm sendo progressivamente terceirizados, resultando em sucateamento da estrutura pública.
Foram lembradas as mobilizações realizadas pelo Conselho Municipal de Saúde, pelo Comitê em Defesa do SUS e pelo Sindisaúde-RS, com apoio da CUT-RS, denunciando o processo de privatização da saúde promovido pela administração municipal.
Participaram da reunião representantes do FSST-RS, SINDIPOLO-RS, UFRGS, SINTTEL-RS, AGTS-RS, assessoria do deputado Miguel Rossetto, Sindiaeroviários, Sindsep-RS, ANAPAR-RS, Coletivo de Defesa do SUS, Superintendência Regional do Trabalho (MTE/RS), entre outras entidades comprometidas com a defesa da saúde e dos direitos da classe trabalhadora.
SOBRE O GRÁFICO

Acidentalidade e adoecimento relacionados ao trabalho no RS: indicadores pioram de forma preocupante
Os dados do SINAN, sistematizados pelo SmartLab Trabalho Decente, revelam um agravamento contínuo da incidência de notificações relacionadas ao trabalho no Rio Grande do Sul. Em 2012 eram 7 casos a cada 10 mil trabalhadores. Em 2024, esse índice chegou a 128 casos por 10 mil, o maior de toda a série histórica.
Os dados da base CAT apontam tendência semelhante. Não há evidências de mudanças na dinâmica econômica que explicam, por si só, esse crescimento. O cenário indica uma deterioração generalizada das condições de saúde e segurança no trabalho, afetando trabalhadores de diversos setores.
Fonte do Gráfico: SmartLab Trabalho Decente (MPT/OIT), com dados do SINAN/Ministério da Saúde e PNAD Contínua/IBGE.
Assessoria de Comunicação
22/07/2026 16:32:42