{"id":12983,"date":"2026-08-31T21:26:50","date_gmt":"2026-09-01T00:26:50","guid":{"rendered":"https:\/\/sinttelrs.org.br\/?p=12983"},"modified":"2026-08-31T21:26:51","modified_gmt":"2026-09-01T00:26:51","slug":"patroes-se-organizam-para-barrar-o-fim-da-escala-6x1-trabalhadores-precisam-ampliar-a-pressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinttelrs.org.br\/?p=12983","title":{"rendered":"PATR\u00d5ES SE ORGANIZAM PARA BARRAR O FIM DA ESCALA 6\u00d71. TRABALHADORES PRECISAM AMPLIAR A PRESS\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p>A disputa pelo fim da escala 6\u00d71 entrou em uma fase decisiva. E a movimenta\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos dias deixa uma coisa cada vez mais evidente: quanto mais perto fica a possibilidade de reduzir a jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, maior \u00e9 a resist\u00eancia do empresariado.<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, trabalhadores, centrais sindicais, sindicatos, movimentos populares e organiza\u00e7\u00f5es estudantis ampliam as mobiliza\u00e7\u00f5es pelo pa\u00eds. No domingo, 30 de agosto, atos em diversas capitais defenderam o fim da escala 6\u00d71 e a jornada de at\u00e9 40 horas semanais, distribu\u00edda em cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redu\u00e7\u00e3o salarial. Em Porto Alegre, a atividade estava marcada no Parque da Reden\u00e7\u00e3o, mas foi cancelada em fun\u00e7\u00e3o das chuvas.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro, empres\u00e1rios se organizam para impedir que a proposta avance agora. A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC) lan\u00e7ou uma campanha para pressionar o Senado a n\u00e3o decidir a quest\u00e3o durante o per\u00edodo eleitoral. A ofensiva re\u00fane o apoio de 34 federa\u00e7\u00f5es e sindicatos patronais e foi lan\u00e7ada justamente \u00e0s v\u00e9speras da an\u00e1lise da PEC 221\/2019 pela Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) do Senado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata, portanto, apenas de uma discuss\u00e3o t\u00e9cnica sobre jornada. H\u00e1 uma disputa pol\u00edtica em curso sobre quem deve pagar pela redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho e sobre quando o Congresso deve assumir a responsabilidade de votar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EMPRESARIADO QUER DEIXAR DECIS\u00c3O PARA DEPOIS DAS URNAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia patronal merece aten\u00e7\u00e3o especial da classe trabalhadora. Ao defender que o Senado n\u00e3o decida a mat\u00e9ria durante as elei\u00e7\u00f5es, as entidades empresariais buscam retirar a press\u00e3o imediata sobre os parlamentares e empurrar uma reivindica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para um cen\u00e1rio pol\u00edtico posterior ao pleito. Isso cria o risco evidente de deixar um direito que hoje possui forte mobiliza\u00e7\u00e3o social dependendo da nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as produzida pelas urnas.<\/p>\n\n\n\n<p>O empresariado argumenta que a redu\u00e7\u00e3o da jornada poderia provocar aumento de pre\u00e7os, informalidade e impactos sobre os lucros. N\u00e3o \u00e9 a primeira ofensiva. Em junho, entidades empresariais j\u00e1 haviam se posicionado contra a proposta que estabelece duas folgas remuneradas por semana e reduz a jornada de 44 para 40 horas sem diminui\u00e7\u00e3o salarial.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, setores patronais passaram a defender uma proposta alternativa, a PEC 12\/2026, baseada em horas trabalhadas e com amplia\u00e7\u00e3o da possibilidade de acordos individuais entre patr\u00f5es e empregados, mantendo jornadas de at\u00e9 44 horas semanais. A iniciativa foi apresentada como contraponto ao fim da escala 6\u00d71.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, enquanto os trabalhadores lutam para trabalhar menos e viver melhor, o empresariado se organiza para preservar o atual modelo de explora\u00e7\u00e3o, com pagamento por hora sem nenhuma garantia social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MUITO AL\u00c9M DA MUDAN\u00c7A DE ESCALA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora no \u00faltimo domingo mostrou que existe for\u00e7a social para enfrentar essa resist\u00eancia. Em S\u00e3o Paulo, milhares de trabalhadores e integrantes dos movimentos sociais participaram da manifesta\u00e7\u00e3o na Avenida Paulista. CUT, CTB, For\u00e7a Sindical, UGT, NCST, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es populares e estudantis estiveram mobilizadas. Atividades tamb\u00e9m ocorreram em diferentes estados.<\/p>\n\n\n\n<p>A reivindica\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m de uma simples mudan\u00e7a na escala. \u00c9 uma luta pelo direito ao tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tempo para descansar. Para conviver com a fam\u00edlia. Para acompanhar os filhos. Para estudar. Para cuidar da sa\u00fade. Para ter lazer, cultura e vida social.<\/p>\n\n\n\n<p>Para milh\u00f5es de trabalhadores, trabalhar seis dias para descansar apenas um significa organizar praticamente toda a vida em fun\u00e7\u00e3o do emprego. A mobiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem forte impacto sobre mulheres, que frequentemente acumulam jornada profissional e trabalho dom\u00e9stico, e sobre jovens que precisam conciliar emprego e estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os patr\u00f5es pressionam, os trabalhadores precisam pressionar ainda mais. A ofensiva patronal deixa uma li\u00e7\u00e3o importante, a de que nenhum direito trabalhista relevante foi conquistado apenas porque empres\u00e1rios ou parlamentares decidiram conced\u00ea-lo. Direitos foram resultado de organiza\u00e7\u00e3o, negocia\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e press\u00e3o da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente por isso que o momento exige ampliar a mobiliza\u00e7\u00e3o. A disputa no Senado enfrentar\u00e1 forte press\u00e3o empresarial e anunciou uma ofensiva sindical junto aos gabinetes dos senadores, al\u00e9m de atos, panfletagens e mobiliza\u00e7\u00f5es pelo pa\u00eds. &nbsp;A orienta\u00e7\u00e3o das centrais sindicais \u00e9 transformar a mobiliza\u00e7\u00e3o das ruas em press\u00e3o direta sobre cada senador e senadora.<\/p>\n\n\n\n<p>A PEC precisa de 49 votos no Senado para ser aprovada. Por isso, cada senador precisa dizer de que lado est\u00e1. Dos tr\u00eas senadores do RS, apenas Paulo Paim (PT) j\u00e1 se posicionou favor\u00e1vel \u00e0 proposta. Os outros dois, Luis Carlos Heinze (PP) e Hamilton Mour\u00e3o (Republicanos) se manifestaram contra a proposta. Isso tamb\u00e9m deve acender o alerta para os trabalhadores, que este ano ir\u00e3o eleger dois senadores e devem estar atentos para os nomes e principalmente partidos que defendem os trabalhadores e os que sempre votam contra os trabalhadores. Isso significa que cada voto importa.<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o n\u00e3o pode ficar restrita \u00e0s dire\u00e7\u00f5es sindicais. Precisa chegar \u00e0s categorias, aos locais de trabalho, \u00e0s redes sociais, \u00e0s ruas e aos gabinetes parlamentares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00c3O PODEMOS DEIXAR PARA DEPOIS DAS ELEI\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia patronal de tentar adiar a decis\u00e3o torna a mobiliza\u00e7\u00e3o ainda mais urgente. Se o empresariado est\u00e1 reunindo dezenas de entidades para pressionar o Senado, a classe trabalhadora precisa responder com uma mobiliza\u00e7\u00e3o ainda maior.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos aceitar que uma reivindica\u00e7\u00e3o que est\u00e1 mobilizando milh\u00f5es de brasileiros \u2013 e que 76% da popula\u00e7\u00e3o aprova &#8211; seja colocada na gaveta para depois das elei\u00e7\u00f5es, ficando submetida ao resultado eleitoral e a uma nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>O momento \u00e9 agora. Por isso, \u00e9 preciso participar dos atos, das atividades convocadas pelos sindicatos e pelas centrais, pressionar os senadores, ocupar as redes sociais, conversar nos locais de trabalho e ampliar o apoio popular.<\/p>\n\n\n\n<p>A disputa est\u00e1 aberta. De um lado, grandes entidades empresariais e seus sindicatos patronais mobilizam sua for\u00e7a econ\u00f4mica e pol\u00edtica para adiar a vota\u00e7\u00e3o. Do outro, milh\u00f5es de trabalhadores reivindicam algo elementar: trabalhar para viver, e n\u00e3o viver para trabalhar. A hist\u00f3ria mostra de que maneira essa disputa pode ser vencida.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta faz a lei.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FIM DA ESCALA 6\u00d71 J\u00c1!<\/strong><br><strong>40 HORAS SEM REDU\u00c7\u00c3O DE SAL\u00c1RIO!<br><\/strong>N\u00c3O AO <strong>ADIAMENTO<\/strong>!<br>Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>31\/08\/2026 15:25:43<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A disputa pelo fim da escala 6\u00d71 entrou em uma fase decisiva. E a movimenta\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos dias deixa uma coisa cada vez mais evidente: quanto mais perto fica a possibilidade de reduzir a jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, maior \u00e9 a resist\u00eancia do empresariado. 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