A crise do Grupo Oi ganhou novo capítulo com a divulgação de uma Carta Aberta à Sociedade Brasileira, assinada por federações nacionais dos trabalhadores em telecomunicações. O documento critica a decisão da 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), que decretou a falência da Serede, e alerta para o risco de calote em verbas trabalhistas.
Segundo as entidades, a falência ignora ativos bilionários do grupo e mantém uma gestão sem transparência, enquanto milhares de trabalhadores vivem sob insegurança quanto a salários e rescisões.
Há patrimônio para garantir direitos
De acordo com a carta, o Grupo Oi ainda possui:
11.573 km de rede de dutos;
105 mil km de rede aérea;
22.526 postes próprios;
milhares de imóveis;
27,26% de participação na V.tal (até início de 2026);
créditos judiciais e depósitos recursais.
A estimativa é de um patrimônio superior a R$ 12,3 bilhões. Para as federações, esses ativos poderiam ser convertidos em recursos para garantir o pagamento dos trabalhadores e preservar operações viáveis, como a Oi Soluções.
SINTTEL-RS na linha de frente
No Rio Grande do Sul, o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio Grande do Sul (SINTTEL-RS) tem atuado diretamente na defesa da categoria. Foi por iniciativa do sindicato que o caso chegou à mediação no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4), garantindo o início do pagamento de salários atrasados, férias e a regularização do plano de saúde dos trabalhadores da Serede.
A atuação do SINTTEL-RS, com apoio da CUT-RS e da FITRATELP, evitou um cenário ainda mais grave e assegurou uma vitória parcial importante. O sindicato segue cobrando o pagamento integral das verbas rescisórias e mais transparência na condução da falência.
Gestão sob questionamento
A condução da administração judicial também está no centro das críticas. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já suspendeu valores considerados elevados na remuneração da administração judicial, ampliando o debate sobre a forma como o processo vem sendo conduzido.
As entidades sindicais exigem a apresentação de um plano claro para o futuro da Oi, o pagamento imediato dos direitos trabalhistas e medidas concretas para evitar que o colapso da Serede se repita em outras áreas do grupo.
Privatizações e seus efeitos
O caso reacende o debate sobre o modelo de privatização das telecomunicações iniciado em 1998, no governo de Fernando Henrique Cardoso. A promessa de eficiência contrasta com a realidade de endividamento, venda de ativos estratégicos e precarização do trabalho.
No Rio Grande do Sul, as privatizações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) também foram acompanhadas de redução de quadros, insegurança trabalhista e críticas quanto à qualidade e ao custo dos serviços.
Para a CUT-RS e o SINTTEL-RS, a crise da Oi mostra que privatizar não é sinônimo de eficiência. Quando a lógica financeira se sobrepõe à função social das empresas estratégicas, quem paga a conta são os trabalhadores e a população.
Matéria de Matheus Piccini – CUT/RS
26/02/2026 14:19:08