Quinta, 21 Junho 2018

cut salario minimo

Com o Plenarinho da Assembleia Legislativa do RS ocupado por dirigentes sindicais das mais diferentes categorias, foi realizado no início da tarde desta quarta-feira (7) o ato pela valorização do salário mínimo regional como ferramenta de distribuição de renda e justiça social. A atividade vai de encontro ao projeto de lei do governo Sartori de conceder apenas 1,81% de reajuste para 2018, abaixo da inflação medida pelo INPC de 2,07% em 2017.

A manifestação antecedeu ao protocolo da emenda do deputado Luiz Fernando Mainardi (PT), em nome da bancada petista no parlamento estadual, que atende à reivindicação das centrais sindicais e propõe o índice de reajuste de 4,17%. Desta forma, a proposta do parlamentar garante o INPC do período e as perdas de 2,06% nos últimos anos, resgatando a diferença histórica de 1,28 em relação ao salário mínimo nacional, quando o chamado piso regional foi criado no governo Olívio Dutra (PT), em 2001.

“Não podemos admitir que o governo Sartori faça o mesmo que o governo golpista de Michel Temer (MDB), apesar de ambos serem do mesmo partido e comungarem das mesmas visões sobre o estado”, destacou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo. O reajuste concedido por Temer foi o menor em 24 anos.

Nespolo lembrou ainda que Temer, a partir das medidas econômicas implementadas no Brasil a partir do golpe, achatou o mínimo nacional, as aposentadorias e retirou poder de compra das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. “A valorização do salário mínimo e dos pisos regionais são fatores determinantes para a recuperação econômica. São ganhos que não vão para a especulação no mercado financeiro e nem para serem gastos em Miami, Nova Iorque ou Paris. Eles ficam aqui, diretamente no mercado interno, o que gera mais consumo e consequentemente mais produção, emprego e impostos”, analisou.

O dirigente da CUT-RS destacou também que muitos trabalhadores dependem do mínimo regional para que tenham salários mais dignos, pois pertencem a categorias menos organizadas e que não possuem acordo coletivo. “Além da questão econômica, tem o fator de justiça social, pois atende justamente àqueles que mais precisam”, frisou.

Mainardi, ao rebater o argumento das federações empresariais que afirmam que o aumento do valor do salário mínimo regional diminui o número de empregos com carteira assinada, destacou que os dados indicam que a dinâmica da formalidade independe do valor do salário. “A prova é que desde o início do governo Sartori, o salário regional perdeu 2,06% do valor e os empregos formais também diminuíram”, disse o parlamentar.

Para o presidente da CUT-RS, a proposta do governo Sartori em reajustar o mínimo regional abaixo da inflação “agrada somente os empresários, cujas entidades de classe são fortemente contrárias, e assim concentra ainda mais a renda no estado, com prejuízo para os trabalhadores e trabalhadoras que recebem os menores salários”.

O ex-vice-governador do RS, quando o mínimo regional foi instituído, Miguel Rossetto, lembrou que a recomposição do poder de compra dos salários, principalmente aqueles que servem como referência a várias categorias profissionais, acaba criando “um circuíto virtuoso” em que todos ganham.

Rossetto usou como o exemplo a recuperação do mínimo nacional feita a partir do primeiro governo do ex-presidente Lula, em 2003. Desde então, combinando aumentos que contemplaram a inflação mais crescimento econômico, teve um aumento real de 76% até 2015. “A valorização do trabalho traduz a nossa visão de sociedade. Se querem uma sociedade menos ou mais igualitária olhem para o mundo do trabalho, que verdadeiramente organiza ou desorganiza a distribuição de renda”, frisou.

A partir do próximo dia 24, o projeto tranca a pauta na Assembleia e precisa ser votado para que outras matérias sejam apreciadas pelo plenário da Casa. “Até lá estaremos fazendo pressão, o saudável lobby junto aos deputados, a exemplo do que os empresários fazem todos os dias. Além disso, os parlamentares ficam mais ou menos sensíveis, dependendo do ano eleitoral, como agora”, concluiu Nespolo.

Estiveram também presentes dirigentes da CTB, Nova Central e UGT, além de vários sindicatos e federações e o deputado Tarcísio Zimmermann (PT), que foi secretário do Trabalho por ocasião da criação do mínimo regional.

Fonte: CUT-RS

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